quarta-feira, 30 de junho de 2010

Seres Biologicos


Aproveitando a manhã livre resolvi dar um passeio pelo bairro. Havia muito tempo que não me entregava a este prazer. Descendo a rua, a primeira coisa que notei foi a dificuldade de desviar das cacas de cahorro que voltaram a infestar as ruas. Acho que neste tempos de copa do mundo, com tanta gente tocando seus neoberrantes vuvuzélicos o povo esqueceu que estava indo pelo bom caminho. Na esquina, nove horas da manhã, um grupo de policiais, vestidos de preto com sua viatura parada sobre a calçada tomava uma cervejinha. Me olharam de solaio naquela costumeira atitude paranóica que é tão peculiar aos membros deste tipo de instituição talvez temendo que eu fosse um contraventor, um corregedor ou ainda pior, um jornalista. Continuei meu caminho imerso em minhas reflexões lembrando que não me encaixava em nenhum destes perfis.

Atravessando a rua vi o Instituto Biológico imponente, com seu ar de castelo mal assombrado que nunca havia visitado. Passei pela portaria e dei bom dia para os guardas da segurança, mas eles estavam ocupados em comprar Yakult da mulher com o carrinho e não deram muita atenção a minha entrada. Caminhei em direção a parte posterior do majestoso edifício e deparei com uma enorme plantação de café. Uma placa enorme indicava o numero de pés e seu propósito. Indicava tambem 15.000 pés de pau brasil que não consegui localizar. Rodeando o prédio olhei por algumas janelas e vi laboratórios vazios, imaginei que talvez fosse muito cedo para estarem em atividade. Ai vi que haviam varios vidros quebrados e imaginei como seria num dia de chuva, com a agua entrando por todas as salas ou mesmo em dias frios que congelariam os pés dos funcionários.

Contornando o cafezal notei alguns edificios sendo renovados pois haviam pedreiros, materiais de construção e faltavam agumas janelas. Mais adiante haviam estufas destas onde se fazem culturas botanicas mas estavam todas vazias, o mato crescia dentro das bombas de arejamento e a poeira cobria quase toda a transparencia dos vidros. Deviam ser umas 20, todas no mesmo estado. Derrepente avistei uma delas com a porta aberta e movido pela curiosidade adentrei o ambiente. Duas pesquisadoras laboriosas me olharam como se houvesse saido de uma nave espacial. Dei bom dia e sai meio desconcertado pelo incomodo causado.

Fui até o fim da construção e ao retornar fui interpelado por uma delas. Educadamente me perguntou se buscava alguma informação. Tirei meu boné. Disse-lhe que apenas estava visitando o instituto e fui informado que isto era proibido. Ela me contou que ali se faziam analises de sementes estrangeiras para checar compatibilidade com a nossa flora, presença de doenças estrangeiras e analise geral dos componentes botanicos trazidos do exterior. Disse tratar-se de assunto de segurança nacional e por este motivo as visitas so seriam benvindas quando devidamente agendadas. Argumentei que o instituto ficava dentro do Parque do Ibirapuera e ela me informou que era ao contrário, que o parque é que ficava dentro do Instituto Biológico.

Abusando um pouco de sua generosidade, fiz algumas perguntas para me localizar melhor e recebi informações interessantes a respeito desta instituição. Ela me disse por exemplo que o governo federal liberou verbas para pesquisa e equipamentos mas que apesar disso os edificios do Instituto se encontravam assim decadentes por terem sido tombados pelo Condephaat. Desta maneira não poderiam ser reformados pois os materiais utilizados na construção original so podiam ser tocados por especialistas. Olhei para tras e vi que faltava uma grande parte deste raro reboco que deixava a vista os tijolos. Era triste como uma velha de calcinhas. Nada mais podia ser feito para devolver a dignidade as elegantes formas do edifício. Vi em minha mente, equipamenos sensiveis sob as goteiras, materiais tecnicos importados encostados em paredes verde de musgo e lembrei que o descaso estatal era soberano neste processo de sucatização de orgãos produtivos e que eu era apenas um cidadão comum passeando no bairro.

Uma vez definido meu status de invasor, me desculpei e agradeci pelas informações desejando que estes problemas fossem logo sanados para que seu trabalho pudesse reverter em avanços e melhorias para o país. Puz de novo meu boné e fui embora.

domingo, 27 de junho de 2010

Colecionando coleções colectáveis.


Uma vez um amigo me disse que colecionadores são pessoas tristes. Até hoje não entendi. Coleciono um monte de coisas. Cds de rock progressivo, filmes de ficção científica, lápis de cor, miniaturas de espaçonaves e mais um monte de bobagens. Não me apego muito aos itens, na verdade se alguem gostar, leva. Obviamente não dou o que uso se não for conseguir outro. Um disco dos Beatles tem mais chance de virar presente que um do Flash.

Tenho um amigo que coleciona guitarras Fender. Ele curte. Atravessa o mundo atras do modelo com o qual sonhou ou viu num catálogo. Quando obtem o item, fica satisfeito e não me parece que isso o transform numa pessoa triste, na verdade ele fica exultante com novos objetivos e velhas conquistas. Um dia ele me deu uma. Quando fui na casa de um amigo em comum descobri que havia dado uma a ele tambem. Provavelmente presentear os amigos com guitarras o deixa satisfeito consigo mesmo, o faz se sentir bem. Se não fossem as guitarras seriam frase inteligentes ou qualquer coisa que colecionasse. Isso me estimulou a estudar mais musica, coisa que sempre negligenciei

As coleções dão um certo expertize as pessoas. Quem coleciona locomotivas eletricas sabe tudo sobre este universo, os modelos Märklin de 1936, Lionel, sistema H.O., trilhos, vagões, controladores, montanhinhas, pessoinhas em escala, estações, enfim todo um planeta ferromodelista. Alguns ocupam-se com estes brinquedos pois alguns de nós nunca crescem. Conheço gente que coleciona maquinas fotográficas, motocicletas, botões, mâscaras africanas, santos de madeira, gibis, essencias e aromas, as coisas mais inesperadas. Isso não é a vida delas, mas é ao que parece um passatempo divertido.

Ha no entanto pessoas que colecionam coisas inverossimeis que não servem para nada como jornais velhos, potes de vidro, tomadas, parafusos, paninhos, canetas sem carga, pilhas usadas e neste caso acho que chega a beira de ser quase uma doença. Conheço gente que tem a casa entupida de bagulhos de diversos generos, dá a impressão que temem o futuro, que podem precisar ler algum jornal velho, precisar de um pote ou ficam simplesmente com pena de jogar fora algo tão bonito. Acho que era isso que meu amigo se referia.

O colecionar na verdade não pode ser confundido com o juntar. Ha tambem de se ter uma inclinação, algo que delimite um território de conhecimento específico, algo que personalize a vida. Acho estupido colecionar figurinhas que vendem na banca de jornais, mas acho interessante colecionar cartões postais, selos, barcos, canetas tinteiro, coisas que preencham nossa atividade intelectual. Sempre encontramos pessoas que colecionam coisas que colecionamos, são novas amizades movidas por algum interesse comum, gente que tem hábitos coincidentes ou gostos parecidos com os nossos. Encher a casa de tralhas fecha o fluxo de entrada em nossas vidas, colecionar parece causar o movimento oposto, mesmo se colecionarmos apenas algo tão comum como bons livros.

Morremos todos, e sabemos que nada disso vai pra tumba, não somos faraós egipcios, nem mesmo vai nosso espirito ficar rondando nossa coleção de tampinhas de cerveja o dia em que batermos as botas. Ha coleções que podemos levar para o alem, como as boas amizades, feitos benevolentes, conhecimentos, mas isso não se pode colocar numa estante.

Quando me sinto acuado ou com raiva, meu primeiro instinto é botar fogo em minhas coleções ou pisotear os itens, prova de que estou insatisfeito comigo mesmo. Quem junta coisas, quando fica com raiva, se esconde no meio da montanha de cacarecos. Parece que isso oferece proteção contra o mundo e as coisas que acontecem. Seja la como for colecionar parece ser muito humano. Nenhum bicho coleciona coisa alguma, o que da uma dica de que talvez colecionar seja errado. Mas a maioria das coisas que o ser humano faz é errado. Imagino se numa sociedade ideal as pessoas colecionariam alguma coisa.

sábado, 19 de junho de 2010

Abstração humana

Estava vendo um filme abstraindo sobre a vida em um outro planeta. Ha uma boa quantidade deles que ensaiam sociedades exoterrestres. Parece que a medida que vão se fazendo filmes de ficção cientifica, do tipo espacial, uns vão inspirando os outros numa jornada criativa onde se especula e projeta a possibilidade de um tipo diferente de vida algures no universo. Curioso notar que a preferencia é dada para seres humanoides com um tipo de relação social muito próxima da que temos. Deve ter a ver com Marketing. Neste filme, como em outros, existe compra, venda, propriedade, dinheiro, trabalho, valores tão diretamente humanos que a extrapolação fica sendo puramente estética. A forma parece ser o que mais preocupa a imaginação dos autores. Na verdade deveriamos tentar imaginar valores relacionais alienígenas, cortar coisa improváveis como família, religião, sistema financeiro, parentesco, linguagem e mesmo formas ou pensamento. Talvez haja espaço neste universo para alocar seres pouco convencionais que nossa imaginação eventualmente não ouse supor.

Seriamos sábios se observassemos a natureza mais do que observamos os livros santos. A natureza contem o código para entendermos o universo. E é um grande universo. Imaginemos um planeta com seres vivos. A vida pode não ser exatamente baseada em Carbono, os seres não precisam necessariamente serem móveis, podem viver simbióticamente com outras formas de vida para manter o ciclo de energia, podem não precisarem de luz ou a enxergarem sob outro espectro cromático. Mas mesmo se fossem humanoides poderiam, por exemplo, não entender o que é possuir. Poderiam não entender nosso conceito de individualidade, poderiam ter vários sexos ou nenhum, teriam outros Leit Motiv, motivações imcompreensíveis para nós, outros sentidos, diferentes dos nossos, para perceber coisas que fossem pertinentes a sua existencia em um ambiente imponderável.

Eventuamente alguma variação destas incontáveis possibilidades pode ter alcançado um nivel de evolução que permita passear pelo o universo e visitar planetas ao acaso. Podem ser bons e podem ser ruins. Podem tambem não ser nenhum nem outro mas representarem um perigo a nossa existencia ou para a deles mesmo. Imaginemos quantos microbios contemos e se um destes bichinhos resolve passear por uma possivel laringe extraterrena e causar uma gripe terráquea que dizima toda uma espécie em um planeta distante. Ou se um micróbio espacial tivesse pegado carona com o visitante. Ha filmes explorando tambem essa possibilidade. Estes filmes certamente não são base científica para afirmações mas a ciência pode tampouco prever a infinitesimal grandeza do universo. A abstração pertence a todo genero humano

Como muita coisa é possivel temos tambem de considerar as dimensões. O escritor e filósofo francês Voltaire escreveu Micromegas em 1732, conto este que foi banido pela igreja no mesmo ano. Tratava-se das viagens espaciais de um filósofo pelo cosmos. O que mais chama a atenção são as dimensões dos seres que encontra. Alguns tem vários quilometros de altura e a comunicação é bastante difícil outros são minúsculos e mesmo ve-los é custoso. O autor considera tambem o numero de sentidos e longevidade em taxas exponenciais. Todos os viajantes que encontram são tambem filósofos e eles discutem as diferenças entre os seres. Jules Verne, Huxley, Lem, Arthur Clark, Poe, Wells, Thorwald, Asimov, Strugatsky, Dike e tantos outros criaram seus mundos imaginários, abstrairam.

Como sabemos que tudo é feito de energia, elemento compositivo dos atomos e eletrons podemos imaginar que as propriedades moleculares talvez não sejam as mesmas que as nossas criando assim invisibilidades, transponibilades e toda sorte de extravagancias físicas. Se enrolassemos um filme em torno do planeta, um fotograma seria o que enxergamos de nossa galáxia. Bom, são trilhões de galáxias. Com nossa lunetinha de brinquedo, o Hubble, podemos ver estrelas ingasgavelmente gigantescas a milhares de anos luz daqui. Mas não sabemos se, de muito mais longe, alguem está olhando pra gente de um telescópio galáctico profissional. Tambem não sabemos se o monte de ondas de rádio que mandamos de la pra ca com toda a informação sobre nossa civilização pode ser entendida por algum radio amador cósmico.

Sabemos em nosso intimo que temos uma energia inteligente dentro de nossos corpos animais e muitos lidam com isso de maneira diferente. Uns rezam, outros tem contatos, e outros tem fé. Não se pode dizer com certeza como isso funciona pois nunca paramos para olhar a questão com seriedade ou honestidade. A somatória dos estudiosos de diferentes areas contem a chave para estes enigmas. Mas eles não se unem nem se livram de seus dogmas deixando o conhecimento fragmentado e flutuante num eter de dúvidas.

Demorou centenas de anos para chegarmos a um bilhão, hoje é um bilhão a cada 20 anos e em progressão geométrica. Logo seremos tantos que não mais caberemos no planeta. Claro que a possibilidade de uma catastrofe mundial não pode ser descartada pois é o que observamos que acontece de tempos em tempos, como descrito na historia, o que acaba controlando a demografia, não estou vaticinando, so estou abstraindo.

Meu bisavô viu o nascimento da luz elétrica. Meu avô viu o do radio. Meu pai viu o da TV. Eu vi o do computador. Se os politicos e os militares permitirem, meus filhos vão ver o computador quântico e meus netos vão presenciar algo que ainda nem passa pela minha imaginação. Isso se continuarmos abstraindo.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dama da Noite



Sentir aquele perfume derrepente ligou um mecanismo de resgate instantaneo que encontrou soterradas sob os escombros de uma vida algumas memórias tímidas que não sabia onde havia enfiado. O cheiro reunia um coletivo de situações heterogeneas em sua tradução sensorial que remetiam a momentos fugidios e fúlgidos. Inexorável como é, o tempo não se detem em considerações misericordiosas a nosso respeito e fusilanememente nos impõe aos efeitos de seu passar levando consigo a astúcia da inocencia e a coragem da irresponsabilidade. Mas assim é.

E novamente vem com este perfume uma vaga vaga, terna de lembranças, abstrata e transparente, diáfana, flutuante, efêmera, dodecafônica. E vou acordando e dormindo. Recordo, projetei a saudades de um futuro que ja passará. Como se o tempo existisse para comportar o perfume e as lembranças de uma Dama da Noite.


Ilustração e texto: Sergio Cajado
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domingo, 11 de abril de 2010

Habemus votus et jatus, non habemus panis

Votar é uma obrigação. Mas que safadeza! Poderia e deveria ser facultativo. Aposto que os desinformados iam preferir cuidar da vida no feriadão do que votar em quem mal conhecem. Votar é coisa séria, so os interessados deveriam faze-lo. Mas certamente é mais confortavel para o governo manipular as massas com distribuiçnão de camisetas e churrascos, porem assim não se constrói uma nação consciente, não se alcança estabilidade provida pela inteligencia de um povo. Vemos que se promove a posição descaradamente através de filmes biográficos, o uso da maquina do poder para auto promoção, este despotismo escancarado, é uma norma antiga. Que medo. Alianças com os ditadores latinos, falta de retidão em licitações publicas etc. (sic = makes me sick) Tenho medo de votar em quem quero por saber que a grande multidão vai votar naquilo que viram na televisão e os votos serão divididos. Que chance tem um partidinho verde? Pouca, pois vivemos a celebração da mediocridade.

O dinheiro dos impostos e das loterias promovidas pelo estado vai todo para o governo federal e sobra um bocadinho para ser dividido entre estados. E os estados abocanham esse pouqunho e deixam quase nada para os municipios e subprefeituras. Como podemos melhorar nossas vidas se o dinheiro vai para os burocratas brincarem de banco imobiliario com nossos recursos? Claro que assim da pra se comprar frota de jatos por 20 bilhões. E o estado com maior presença no senado puxa a sardinha pro seu prato, como a Bahia que ficou com mais de 60% de toda grana do país... e que dividam as sobras entre os outros estados da união! So pensando, e se o governo federal ficasse com um pouquinho, os estados com mais e os minicipios com quase tudo? Ora seria o progresso finalmente chegando aos que pagam imposto e querem ver melhorias com o dinheiro que gastaram, pois assim é que se faz nos países desenvolvidos de fato. Mas estamos longe desta realidade ainda e vamos ficar um tempão esperando que os urubus saiam de cima deste cadaver ainda vivo que grita por um raio de sol. A não ser que reclamenmos alto e em bom tom.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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domingo, 28 de março de 2010

Hoje no Coliseum: Caso Nardoni



Pouco me interesso por casos policiais, mesmo quando são de preferencia nacional. Mas neste caso devo me pronunciar, não pelo caso em si mas pela cobertura execessiva da midia e pela chocante participação do populacho na opinião pública. Que vergonha profunda!! Gente torcendo, comentando na padaria, no ponto de onibus, algo que deveria ser exclusivamente da esfera policial e jurídica. Só faltou gente vendendo pedras na porta do tribunal para o apedrejamento, lembrou até a história do Lynch. Se fosse o gladiador ele gritaria para a turba: Are you not entertained?

Menos que medieval, de mal gosto, coisa de fuchiqueiros divertindo-se em mexericar acerca de um caso que deveria apenas gerar comoção silenciosa, imbecis soltam rojões na porta do tribunal, continuação de um BigBrother da desgraça humana.

Schadenfreude, o gostar de ver gente se estrepando, batendo com a cabeça, caindo no chão. Feio, muito feio. Alguem disse que a TV deixa os inteligentes mais inteligentes e os burros mais burros. Mas a grande maioria é de burros, ficam sistematicamente mais e mais, burros. E se alguem reclama, chamam de intelectual com todo desdem dos tolos.

Uma pena pois estamos na era de Aquarius, no terceiro milenio, vimos guerras, corrupção, iniquidade, e nada aprendemos, Vimos Cristo, Dalai, Chico Xavier e nada aprendemos. Sinto-me nos derradeiros dias de uma Roma apodrecida pela insensibilidade.

Vejo centenas de carros de Policia cercando o Palacio do Governo para proteger o Governador de professores que reinvindicam melhor salario. Observo cavalaria, policiais de olhar maligno com a mão na cartucheira, botando panca de John Wayne com seus uniformes justinhos, suas sirenes histericas, suas luzinhas vermelhas piscando, parados sobre a calçada, andando na contramão, passando sinal vermelho, apontando armas para a população. Mas isso não causa espécie, o vulgo prefere aplaudir os capitães Nascimento e postar-se frente ao tribunal, apedrejar o miserável casal assassino. Palmas para nós.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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domingo, 7 de março de 2010

Metáfora do Tempo


Li em algum lugar que o tempo está mais curto, que um minuto tem agora cerca de 58 segundos dentro dos mesmos 60 ou o tempo estaria encolhendo. Porisso sentimos que o tempo não dá, pra fazer tudo que gostariamos, como faziamos ha algum tempo.

Mas como gastamos nosso tempo? relaxando, vendo uma tevezinha, bom, desse jeito sobra mesmo muito pouco tempo pra ser vivido. A não ser que se esteja aproveitando o tempo ao máximo o tempo todo. Quer dizer, vendo tevê o tempo simplesmente passa enquanto se é alimentado com informações que sei-la-quem escolheu pra enfiar em nossas mentes.

Sair na rua, sair de casa é bom. Sofremos muito por causa do transito, da violencia, da corrupção e muitas vezes preferimos ficar em casa. E ligamos a tevê pra ter mais disso, digitalmente. Não da pra entender.

Sair a pé e andar bastante, bem devagar, olhando tudo, falando com as pessoas, pesquisando a rua, parece tão ser humano, tão imortal que nos da a dimensão da vida. Mas não é para todos, é so para iniciados, os que não ligam pra tevê, preferem abrir um livro ou um jornal. Aqueles que escolhem seus proprios menus. So assim é que da pra ajustar o nosso tempo a inexistencia do tempo.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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terça-feira, 2 de março de 2010

O Fim está próximo



Dizem que o mundo vai acabar, que o terceiro segredo de fatima é o fim da humanidade que fez o papa chorar. Dizem que Nostradamus disse e o os maias vaticinaram, que esta na biblia e na ficção científica nossa de cada dia.

O fim tem até data marcada em 2012, tem filmes e livros tratando do assunto, marketing com cobertura total, blogs de como comemos o planeta dia e noite, websites de como interferimos nos filtros que nos protegem do sol, que nos mantem e ao nosso ecossistema, vivos. Discos voadores de todos os formatos, deuses heliocentricos, mitos complexos, segredos obscuros e revelações luminosas. Que momento estamos vivendo! A beira de algo gigantesco da qual não temos certeza nem do que é, de onde vem ou porque nem pra que que serve mas que a logica demonstra que é possivel e tudo que podemos fazer é nos ocupar de sexo drogas e TV. As molas do mundo moderno. Temos ferramentas para controlarmos uns aos outros. Podemos espionar nosso vizinho no google e ele pode ver seu cachorro no seu quintal, as plantas que você tem no jardim, um verdadeiro mapa do tesouro para gatunos e delinquentes. Na internet se aprende fazer de dinamite a bomba H. Vendem os componentes online e entregam em casa. Vota-se online. Poder online e vaidade ilimitada. O hedonismo consumista babando na fila do caixa. Falsos profetas governando nações. Esperando um Godot salvador, a volta de quem disse que um dia voltaria como leão. A nova aurora talvez não tenha espectadores o que me faz pensar se existe som quando não ha ninguem para ouvi-lo.

Parece que mudamos de era e agora vamos mudar de tipo de civilização. Segurem-se, pode ser que dê um pulinho. Considerando o numero de passageiros a bordo, acho que pode ser até um pulão.

Era de Aquarius, estamos nela, parece a de Peixes. Me faz sentir um peixe fora do aquario, não gosto de pagode, nem de samba, nem de carnaval, nem de futebol, nem de BigBrother nem de BigMac, nem de transito, sujeira, assalto, grosseria, sinais dos tempos... mas me dê uma vista pro horizonte e uma sombra para descançar. E me deixe ouvir meu rock até o amanhecer.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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Atomos de cores vivas




Varias bolinhas de cores vivas. Cada uma feita ligeiramente diferente da outra de maneira a dar a impressão que são diferentes, mas são tantas e tão pequenas que nem valeria o trabalho de classifica-las ou adiciona-las ao compendium universalis eternum, tão efêmera é sua duração.

Mas o que difere uma bolinha de outra é o fato desta ter sua duplicata etérea, um fantasma, uma alma, que existe ainda quando a bolinha não mais é. E torna-se mais e mais a essencia das bolinhas onde houve ser, pois esta é sua memória eterna, mas não sua consciência. Esta evolui alimentada de experiencias e não de fatos.

Estas bolinhas todas se existissem, morariam dentro de um espaço quase infinito, sendo isto dentro de um átomo de um lugar como aqui, com milhares atomos por molécula e milhões de moleculas por particula que agrupadas aos trilhões fazem os compostos básicos para a nossa vida. E aqui estamos, olhando o céu cheio de estrelas, de nossa janela num predio de uma cidade num pais de tal continete do planeta Terra, terceiro planeta distante do sol 150 milhões de kilometros que por sua vez situa-se num dos rabinhos da via lactea onde existem trilhões de outros sistemas solares compondo a nossa galaxia que esta longe quase um milhão de vezes o seu tamanho, da galaxia mais proxima... e são trilhões de galaxias de tamanhos e dimensões quase impossiveis de imaginar.

Tudo bem, tem um so Deus, mas vai dizer que ele não criou uma hierarquia infinita de subdeuses para ajuda-lo? Deus é Workaholic? Se criou as bolinhas, criou bolonas para cuidar das bolinhas numa matematica infalivel, sua marca registrada pois até o falhar é divino. Eu arrisco o palpite de que é muito dificil uma entrevista com o criador de tal magnitude sem passar por uma eternidade de secretarios e subdiretores infinitos por eon e eons. Ha um caminho e estamos nele. Não ha jeito de escapar portanto, se temos de percorre-lo, melhor recorrer a valores dignos de serem vivenciados como curiosidade, atividade, amor, coperatividade, construir uma consciência estruturada, sabia, compassiva, ter senso de humor, ser menos vulcano sem ser klingon.

Talvez todo nosso universo com suas galaxias estejam dentro de um atomo de outro universo e considerando o infinito estonteante de possibilidades é apenas mais uma idéia ridicula assim como o são todos os calculos que fazem as bolinhas para se localizar no universo e se situar no tempo. A vida é breve, Tempus Fugit, o tempo passa e nós com ele.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tenho um ponto.














Não me sinto nostalgico nas manhãs mas sinto uma vontade enorme de comer pão na chapa com café com leite daqueles que se pedem nas padarias quando é bem cedo e as ruas ainda não estão entupidas de pessoas apressadas querendo chegar em seu trabalho mais cedo de maneira a impressionar seus chefes indiferentes que não percebem o trabalho que deveria ter sido concluido ha varios meses atras mas que repousa ainda nas prateleiras de mogno envelhecidas e doadas por um velho morador que costumava cantar canções amareladas sobre sua infancia passada em algum lugarejo de Andaluzia e que conforme seus avós teria sido onde se refugiaram seus pais após o bombardeio que levara quase a totalidade do vilarejo ao ponto que se encontra em meio a este seculo de tecnologia e informação onde nada que pode ser notado a olhos nus compara-se ao que estamos vivendo neste descompasso de energias fatigadas e corrompidas pelo sugar constante da interação social a que nos obriga o sobreviver em metropoles e grandes centros urbanos destes que se espalham impiedosamente pelos sulcos da mãe Terra sem que nada possamos fazer para deter a marcha inexoravel do progresso e dos tentaculos destrutivos deste grupo social a que ternamente chamamos humanidade embora a noite tenha sono e durma pensando na velocidade que todas as informações vão se concentrando em frascos individuais dentro de involucros pessoais e acumulando-se em periodos tão curtos como o da existencia sem que se possa quantifica-los ou analisalos para obter um resumo de todo o conjunto de fatos de diversas areas diferentes que compõe tudo o que somos, sentimos e almejamos.

Neste ponto resolvo por um ponto em meu ponto, desses que se usa para terminar um texto.

Ilustração e texto: Sergio Cajado
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